Paixão pela Copa e pela seleção brasileira divide pilotos da equipe Honda Racing
Enquanto alguns conciliam treinos e competições com o interesse pelo Mundial de Futebol, outros seguem suas rotinas normalmente
Publicada em 5/7/2018.

São Paulo (SP) - De quatro em quatro anos, durante um mês, o país praticamente para por conta da disputa da Copa do Mundo de futebol masculino. A torcida por um bom desempenho da seleção brasileira é algo que une grande parte da população, que adapta sua rotina para conseguir acompanhar as partidas da equipe nacional.

Mas a “febre da Copa”, aparentemente, não é tão intensa como a verificada em outros anos. De acordo com pesquisa Datafolha realizada às vésperas do início da competição, 53% dos brasileiros demonstrou não ter nenhum interesse pela competição, o maior índice da história.

Esta divisão entre aqueles que não perdem um jogo do Brasil - e que dão um jeito de assistir até a partidas menos badaladas do torneio - e outros que não estão nem aí para a Copa pode ser refletida entre os pilotos da equipe Honda Racing de motociclismo off-road.

Se por um lado há quem ame futebol e tenha até se arriscado a jogar em categorias de base de clubes tradicionais do país, outros pilotos da equipe simplesmente ignoram a competição e seguem suas rotinas de treinamentos normalmente.

Júlio “Bissinho” Zavatti, piloto de Rally Cross Country, e Gabriel “Tomate” Soares, piloto de Enduro FIM, por pouco não se tornaram jogadores de futebol profissionais. Bissinho chegou a treinar no Palmeiras, ao passo que Tomate frequentou em sua adolescência o centro de treinamentos do América, de Belo Horizonte (MG).

“Acho que a maioria dos brasileiros começa no futebol. Depois, cada um parte para o seu lado”, afirma Bissinho. No caso dele, o “lado” escolhido foi o motociclismo off-road. “Fui pegando gosto pela moto, fazendo trilhas e aí resolvi abandonar o futebol”, completa.

Deixar de lado o sonho de ser jogador de futebol profissional, no entanto, não aplacou sua paixão pela modalidade. “É uma coisa que eu gostava muito. Abandonei o futebol, mas fica no sangue, não tem como esquecer”, garante.

Assim, Bissinho dá um jeito de assistir aos jogos da Copa. “Eu acompanho a Copa. Se estiver treinando, na academia ou fazendo alguma coisa que não dê para assistir aos jogos, eu tento depois acompanhar na internet, ver os melhores lances e saber dos resultados.”

Tomate também quase foi jogador de futebol, mas a paixão pelas motos, que vem de família, o levou a outro caminho. “Moto é uma paixão minha há muitos anos, meus irmãos já andavam antes. Então, quando o meu pai me deu a oportunidade de correr de moto, eu vi que era isso que eu queria fazer e que valia a pena abrir mão do futebol”, explica.

Recuperando-se de uma fratura na mão direita, o piloto mineiro utiliza o período de descanso forçado para aproveitar ao máximo a Copa do Mundo. “Não perdi quase nenhum jogo. Eu gosto muito de futebol. Quando estou em Belo Horizonte, vou no Mineirão assistir aos jogos do Cruzeiro. Amo isso. E estou por dentro da Copa do Mundo”, relata.

O equatoriano naturalizado peruano Jetro Salazar, piloto de Motocross da equipe vermelha, é outro amante do futebol. “Eu sempre joguei futebol, desde pequeno. Sempre estava na seleção do colégio. Era bom mesmo, mas nunca cheguei a tentar jogar em algum clube porque meu sonho sempre foi ser piloto de motocross”, diz.

Salazar também é fã de Copa e cita como sua melhor lembrança a primeira participação do Equador no torneio, em 2002. “Acompanhei bastante esse Mundial. Lembro que acordava às 4h da manhã para assistir os jogos. E o Equador até que foi bem, perdeu para a Inglaterra nas oitavas”, relembra.

Nesta Copa, com o Equador fora da disputa e o Peru já eliminado, Salazar irá direcionar sua torcida ao Brasil. “Como moro aqui, também tenho uma atração pela seleção brasileira”, afirma. “E acho que o Brasil é um forte candidato para ser campeão”, conclui.

Copa do Mundo? Vida que segue - Se para uns a Copa gera fascínio, o sentimento para outros pilotos da equipe Honda Racing é de indiferença.

Para Jean Azevedo, o momento é de treinamento e muito foco na disputa do Rally dos Sertões, competição mais importante da temporada e que será disputada em agosto. “Esse período de junho e julho é de uma fase intensa de preparação. É uma fase importante do ano e eu estou totalmente focado nisso”, explica o piloto paulista, que busca o oitavo título da competição.

“Eu não curto muito futebol, não faço nenhuma questão de assistir nada disso. Então para mim é vida normal, eu treino normal nesse período de Copa. Não mudo minha rotina em função de jogos do Brasil, não”, completa Azevedo.

Piloto de Motocross da Honda Racing, Lucas Dunka vai na mesma linha. “Minha rotina de treinos durante a Copa do Mundo continua a mesma coisa. Durante o jogo contra a Costa Rica, eu estava arrumando meus equipamentos para correr no final de semana”, conta. “Claro que eu gosto do Brasil, quero que a seleção vença, mas eu não tenho muita ligação, não sei quem são os jogadores, não acompanho muito”, conclui.

E se o Brasil for para final, Dunka? “Se tiver uma trilha ou um treino legal para fazer, eu vou preferir a moto”, dispara.


Dário Júlio, piloto de Enduro de Regularidade da equipe Honda Racing
Crédito: Gerson Coas/Mundo Press

Tunico Maciel, piloto de Enduro de Regularidade da equipe Honda Racing
Crédito: Gerson Coas/Mundo Press